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Polyanthea Medicinal

João Curvo Semedo. Polyanthea Medicinal. 1741.

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Polyanthea MedicinalJoão Curvo Semedo, 1741
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45. Quando os doentes vomitaó o que comem ſem miſtura de humores , pelo qual final vimos em conhecimentoque lhes não convemos taes vomitos , antes he neceſſario impedillos ; neſte caſo obſervo tres coufas. A primeyra , que nao lhes dou caldos , nem coufas liquidas ; mas obrigo- os a quecomaócoufas aſiadas , ou cozidas ; porque os alimentos folidos ſe ſuftentaomelhorno estomago.A ſegunda , que lhes não deyxo beber agua logo ſobre o comer ; mas depois de paſſarem tres horas , porque jaentam temo mantimento largado a melhor parte no estomago ,& importa pouco que ſe vomite. A terceyra he dar aos doentes , quatrodias ſucceſſivos , hum baço deporçocozidoſem tempero , que he remedio muy celebrado ; & ſe o doente nãotiver cabedal para matar cadadia hum porcopara lhe comer obaço, beba todos os dias duas onças de vinho , com meya oitava de quinaquina fubtiliffimamente polvorizada ; & me agradecerão o ſegredo. Tambem he grande remediodar aodoenteduas onças de aguade ortela deſtillada, ouhú eſcropulode ſalde loſna miſturado com húa colher de çumo delimam aze- do;ou applicar fobre o estomago hum emplaftro feyto de triaga magna mifturada com pamtorrado borrifado com vinho generoſo. 46. Orajàqueneſte lugar ſe tratados vomitos ,naó ſerá fórado aſlumptofazer aqui ſete perguntas : Aprimeyra , de que partes procedãoos vomitosde ſangue: Aſegunda, ſehaja vomitos cauſados de feytiços ,& doenças cauſadaspelo demonio : Aterceyra , porque cauſa eſtando algumas peſioas
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dando-lhe hum pleuriz agudiſſimo,foy neceſſario ſangralla muytas vezes, MathiasUntzerus lib. 1.de Epilep. & quedaquelle tempo pordiantenao tornara ater ostaes accidentes.Omefcap. 16. §. 11 . mo diz ChriſtovãodaVeiga, 28. que obſervou em tresdoentes. Eu digo * 26 . omefmo , porque tendo certomeninoaccidentes deGottaCoral , quere- * Bertin.lib. fuæMedicin. cap.5. mor- ſiſtirão amil remedios, o feriraó cafualmentenateſta ,& deytando muy fol. 316. ibi:12.Puerintegrèfanus bum effe totius fubftantia, &venenatum expertuseft, qui cùm poft egrum epilepfia laborantem in codemneſtatim cyatho bibiffet,bujus morbi contagio correptuseft. 27.
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: 5. DaTransplantaçağõ, oupaſſagemque muytas doenças fazemdebūs corpos para outros. Eu occaſiaó a fallar neſta materia , o dizermos atraz que be- D bendo hum homem ſaó , por hum pucaro por ondehavia bebidohum enfermo de Gotta Coral , ſe tranſplantaraó osaccidentes no homem ſao de tal modo , çue daquelle dia por diante os começou a padecer com o meſmo rigor , que odoente os padecia. Eporquenãopareça que eſte meu dizer he apocrifo ,ou livremente proferido ,apontareyalguns exemplos em confirmaçãoda verdade ; pois, como diz Sallustio, 1. aexperiencia , &o exemplo lao mais poderofos que a 2. Arte. I. 3. Sallust. Longum eftadſcientiam ,vel Sejapois oprimeyro exemplo queconfirme haver Tranſplantação artemiter perpræcepta breve , & dedoençasdoscorpos enfermos paraos laos ,o ſeguinte,caſo , que mepaſiou efficaxperexempla. pelasmãos noannode 1668. Sendo o DoutorAntonio Roballo Freyte Juiz Vide Doctiffim. Francifcum à Fon- de Fóra na Villade Santarem , padeceo humasmaleytas rebeldiſſimas;&porque naquelle temponão havia noticiada Quinaquina , nemda agua de Ingla3.obf.45.mihifolio495. Demorboſec. Henriques in ſuo Apiario cent. rum transplantatione. terra,nem daminha agua Lusitana , nem de outros remediostão efficazes, como eſtes ſao ,ſe viomuyto apertado , atè que ( por conſelhode huma velha) lhe cortaraō asunhas dos pès , & feytas em aparas delgadiffimas as miſturarao com pão ,& queijoralados ,& asdéraő a comer ahum cão , & daquelle dia pordiantecomeçou odoente a melhorar ,& o cão a estar triſte,&tão amor-
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que hoje ſe vende em Lisboa ,& em todo oReyno , falfificado , & vendido debayxo do meu nome. 19. Eſta noticia dou aosMedicos curiofos , porqueentendoque em to- dos reynatanto acharidade ,& amordos proximos ,que nao ſe deſprezaráő deufar dos remedios bons , ainda que ſejão inventadospor outrem,como ve- mosnaaguade Inglaterra inventadapelo Doutor FernãoMendes;no fal Policreftoinventadopelo DoutorSignete;no Febrifugio inventadopeloDoutorRiverio ; nas pedras Cordeaes inventadas peloPadre Gafpar Antonio , & hojemelhoradas pelo PadreJorgeUngarete; noſalvolatiloleoſo ,inventado pelo Doutor Sylvio ; na tizana laxanteinventada por Madama Focquete.Co. mofinalmentevemos emoutrosremedios,& fegredos ,inventadospordiver. 15. fos Authores , & fem embargo de ſerem alheyos ,uſamos delles , porquenos Scribonius Largius , in Epiſtolaad conftados bons effeytos que fazem , ainda que não ſaybamos ocomo tepre- Calliftum,mihi fol.3. ibi. Quiex- paraó;& ſe alguem ſe deſcontentar da inculca que façodo meu Bezoartico, persifunt remediorum utilitatem, de&deoutros fegredos que preparopor minhasmãos ,parecendo-lhe, que os negant autem ufum , valdè culpandi louvo,& acreditoparatergrandes conveniencias navendadelles,na fuamão funt crimine invidentia , utpotequi . eftànão osufar; ſuppoſto que nao ſe livraràdeparecer impio ,quem repro- flagrant Et infràdicit: Definant ergo , quž varalgumremedioalheyo,depois de lhe conſtar que he proveytoſo,porque prodeſſeafflictis aut nolunt, aut non argueque com efle tal homem pode mais a enveja,que a razão , masaquem poffunt , aliofque deterrent negando
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terías fóra do corpopor via de ourinas. AQuinaquina , & aagua de Inglaterra, tambem ajudão muytoa desfazer as durezas ,& obftrucgoens do baço, porque fixão oshumores acres, &osdeytão fóra pelaourina. 19. A terceyra advertencia he ,que ſedermos aodoente de obſtrucção dobaço a aguade Alpar, advirtamos que ſe toma pafieandono campo , àma neyrados que tomão pirolas de aço, & que dentro dahora do paſſeyo fe deve beberhuima canada pouco mais ,ou menos, reparandobem fc odoente ouri0 na mais quantidade do que foy aagua que bebeo ; porque ſe ourinarmenos, he final que não pafla pelas Ureteras ,& neſte caſo, tão fóraestá adita agua de aproveytar, que antes fará grande dano ;pelo contrario , ſe o doenteouri- nar com a tal aguamais doquebebeo,devemos continualla vinte , ou trinta dias, porque indubitavelmentehadeaproveytar, &desfazer adureza, &obDo ſtrucçãodobaço, Tratado II. Cap. LXXXI. 1 437 Dofcirrbodo baço ,comosefaz, comofeconhece, &fe cura. 20. Odas as vezes que nobaço ſerecolhem quaeſqner humores,& Tpor algumacauſaſe retem dentro nelle muyto tempo , contrahem humadurezatãoempedernida, que fazem hum ſcirrho. Diftingue-ſe o ſcirrho do tumor flatuoſo; porque no ſcirrho ſente o doente mayor pezo ; & porque o tumor flatuoſo cede aos dedos ,quando o comprimem ,& faz rugi-
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raõ as camaras de ſangue,& os fluxos delle , venhao de qualquer parte que vierem : aſſim o obſervey em Gonçalo Borges de Moraes , que estando un- gido por caulade humascamaras deſangue ,farou com este remedio : affimo col.2 . ibi:Adhibentur & dentes è ma- obſervey na SenhoraMarqueza deArronches ,& em muytas outras pefloas, xilla mortui evulfi, commendanturque que com este remedio livraraõda morte, como ſe foſſe obra demilagre. admorbos maleficio introductos infuf- 27. Mas para que faô neceffarios tantos exemplos em confirmaçãodas fitu. virtudes occultas,& curas magneticas ,quando temos oexemplo da Quinaquina ,naqual ſe encerra huma virtude occulta tao admiravel ,& efficaz para curar todasas febres intermitentes , como ſao quartans , terçans , & todas a quellas que entrão,ou entráraó com tremor defrio, ainda quedepoisdegenerallem em continuas , ou malignas , que verdadeyramente mais parecemilagredivino, que effeyto de remedio humano? Em abono deſta verdade pudèra nomear aqui maisde ſeis-centos doentes que tomàrao a Quinaquina em po,& aagua de Inglaterra ,& todos cobraraó perfeytiſſima ſaude ; mas affim como he eſcuſado provar que oSol tem luz , tambemhe ſuperfluo mostrar que a Quinaquina ,&aagua de Inglaterra curaó as febres intermitentes , & a quaef- quer outras, com tanto queentrem, ou hajao entrado com accidentes de frio, ou com tremor; &aindaquea febreſeja complicada com prenhez, com malig-
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nidade , comvomitos, comdores, com camaras, com fuoresprofufos,ou com quaeſquer outros ſymptomas horriveis , nem por ifio deyxarà a dita Quinaquina de fazer osmaravilhofos effeytos que coſtuma, & aexperiencia nos tem moſtrado cada dia. 28. Infinitos exemplos pudèra referir de coufas que obrao por virtudes,&qualidades occultas ; mas fiquem em ſilencio, por naōeſcandalizar aos quetudo attribuem às virtudes manifeftas, negandode forte as occultas, que dizem fer refugiode ignorantes recorrer aellas. Quizera eu que os que negao asqualidadesoccultas ,& as fympathiasdas coufas, ine deflem a razaõ porque o ouro attrahe a fi o azougue, porque a pedradecevar attrahe a fi o ferro,porque o alambre ,& o diamante attrahema fi as palhas, porquea Safira faz exha- larovenenodosbuboens ,& tumorespeſtilentes ,porque os cabellos docao danado ,poſtos ſobre a mordedura do meſmo cao , attrahem a fi o venenoda mordedura, porque o fumo das ſangueſugas mata ,& afugenta os percevejos, porqueoEliotropio buſcao Sol ,porque o touro ſendo tao bravo fica manfo, &perdea braveza atando-o ahuma figueyra , porque o leað ſendo tao valerofo, eftremece quandoouve cantarhum gallo, porqueo elefante ſendo taoforte, temeahumaformiga ,& quando estámuy aſlanhado , ſe aplaca de improvifo com avistadehum carneyro, porque a Aguia ſendo tao altiva,& Rainha das aves , temeoeſcaravelho , porque alguns homens naopodem comer azeite, nem iguarias que com elle ſe guizem;outros naó podemcomer queyjo;outros não podem comer mel ; outros naõpodem beber leyte,& ſealgumas vezes comem qualquer deſtas couſas por engano , infallivelmente as vomitaé, tendo primeyro ancias ,& afflicções moriaes ;outros naó podem comerper-
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39. Finalmente quizera que me diſleſlem os que negaó as virtudes oc. Palmar.deMorb.contagiof.fol. 271. cultas , de quemodo curaóos pòs da Quinaquina , ou a aguade Inglaterra , as & 272. refer . SKench . lib. 7. de Veterçās,ouquarrás ,&todas asoutrasfebres que entraõ com tremor de frio, nen . ex animal.mihi fol. 951. col. 2. poishe certo que nao obrao por camara , nem por vomito ,nem por ourina, ibi: Vellem interim argutulos ullos nemporoutra viamanifeſta;donde neceffariamente hao deconfeflar ,que quosdam acerrimos abstrusarum refidijs placet, investigatores,qui aquellemaravilhoso effeyto procededavirtudeoccultada tal agua,ou daQui- rum, occultas medicamentorum proprietates naquina ;&affim como aeftadeu Deos huma virtude occultatão estupenda, pro ignorantium afylo reputantes, cocomotodosſabemos, aſſim adeu tambem a outras muytas couſas. E ſe todas rum omnium,que in artefunt causam eſtas razoens não bastarem para convencera incredulidade aos que negaóvir- admanifeftas medicamentorum qualireferunt , mihi indicatudes occultas ,eſtimareyque reſpondaõ a Palmario, 26. &thedigaó de que tatesacceptum rent, quomododefcriptus pulvis , cali- modotirao os pòsde Silvano o venenodo cao danado , ſendo quentes ,&hua dus cumfit,febrem tam malignam, febretao maligna ,& continua , acompanhada com delirios ,& com outros eamque continuam delirio , alijfque graviffimosfymptomas,ſendo quenao provocaō evacuação alguma manife. perniciofis fymptomatibus comitatam
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: 104 Declara-ſe quantas eſpecies hadefebres; como ſe fazem has continuas , & intermitentes ; & como ſe curaõ ; & ſe refolve que ſe podem dardoces ,& azedos aos que tomao Quinaquina, como ſeja em moderadaquantidade. 7 Uppoſto hajamuytas diverfidades de febres , com tudo todas ſe reduzem atres efpecies,convem a ſaber,Diaria ,Podres,ou Hecti cas. As Diarias laō aquellas que ſe accendeminos eſpiritos. As Podres faóas queſe accendem nos humores.As Hecticas faō as queſeaccendem naspartes folidas.Naó trato aquidas Diarias,nemdas Hecticas; porque como aempreza deſta obrahe moſtrar as virtudes que o Eftibio preparado tem para muytas 1 . S doenças ,trato fóde capitular aquellas a que elle pède fer remedio; & como nempara as febres Diarias, nem para as Hecticas ſerve oQuintilio,ſotratarey das Podres , aquem pode ſervir. Digo pois, que dapodridağ dos bumoreshe queprocedemas febresPodres ,& fazem diverfas efpecies de febres ,confor meohumorque apodrece , ou o lugar em que apodrece ;porque ou apodrece dentro nas veas mayores , ou fóra dellas : fe apodrece dentro ,& he fó ofan
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purgaverit,ſtatim,iterum atqueite- declinaçaodafebre.Eſe ascezões reſiſtirem aotal remedio,podem recorrer à rumfanguinem mittit , & nunquam aguade Inglaterra ,que ſeforbem feyta , &preparada com Quinaquina verceſſsat àfanguinis detractione:putans dadeyra, (porquetambem ha muyta falſificada )nao coſtuma faltar com os caufam&focumputredinis effe in ve nistotius corporis , nonnepoterit elle ſeusmaravilhofos effeytos.Efe for tal a rebeldiadas cezões quedeſpreze atao origoinpartibusprime regionis, quas fingular medicina ,nestecaſopodem recorrer a minha caſa, que nella acharáó nonpotuitmundare leniens medicame- humaaguachamada Lufitana , contra ascezões ,cuja virtudehe taogrande, sum , quiafortiterberenteshumores, quedentrodeoitodias tiraas cezões,& ſe asnaotirar,tornareyodinheyro que aut antiquas cruditates non potuit eradicare,aut quia humores praterna- me derem por ella . 11 . No caſo porèm , que as cezões ſejao taoindomaveis , que nemcom eligenti medicamento? funt enimbilio- eſta agua ſetirem , o que raras vezes viemcincoenta annos que tenho deexer turales ibidemgeniti non cedunt , nisi fi ,pituitofi,& melancholici ,&tan- cicio de Medico,deyxemdeſcanſar aodoente dez,ou dozedias , fem lhe fazer dem incoctiles. -5. maisremedios que fomentaçõesemollientesnoshypocondrios,&ventre, que Avicen.Fen 1. 3.Tract. 2. cap. 63. deordinarioeftaóduros , &obſtruidos nas doenças largas ;& tanto quehoufol. mihi 798. prope fin. ibi : Et vo- ver indiciosde cozimento , tornaremosa purgar , em dias alternados , com re-
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doces aquem roma Quinaquina , ficaràa talQuinaquina menos amargola, & ‫دو‬ mais enfraquecida, de tal forte ,que naopodera tirar as cezões , por que jànão " 1 poderà rebater o acido que as faz ; & eſta a meu entender he acauta porque nem doces , nem azedosſe dao aos que tomao Quinaquina ,& fe haoutra, ef „timarey ſabella. ‫دو‬ " : 23. ‫رو‬ ‫دو‬ ‫دو‬ podem efcufar ;& porque nao me chamem temerario ,pois contra huma re- ‫دو‬ " 1 1 Naõobſtantes porèm eſtas razoens , eu tenho fabido por repetidas experiencias , que ſe os doces , & osazedos ſederem empoucaquantidadedo forte, que não prevaleçaō contra oamargor da Quinaquina , que bem ſe po. demdar aos que muyto os deſejaõ , ou ſao tao costumados aelles , que os nad „grageral , confirmada por todosos Medicosdo mundo,permitto algum poucodoce , & azedo aos que tomao Quinaquina: reſpondo , que eu permitto 1 "humamoderadalicençanosdoces,fundado emduas obſervações, que cafual‫دو‬ ‫دو‬ 0 ‫دو‬ mentefiz, cuja hiſtoria quero referir paradeſculpadaminha permiſlao. Vifitavaeuhum doente , que eſtava tomandoa Quinaquina por caufade humas cezões ; a eſte mandou huma fua madrinha humpreſente de doces , dos quaes " ſefartoutres , ou quatro dias ,no fim dos quaes me difle que ſe ſentiamuyto " ‫دو‬ fraco, ſem embargo que comia bem , principalmente doces : pelejey muyto com elle,dizendolhe que fizera hum grande erro , porque quando lhe nao
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folvi adarlhe a Quinaquina , ſem embargode que as cezões nem eraó inter- * Mercat. Tract . 4. de Febr. maligo. : mitentes ,nem entravao com frio, nem com tremor de corpo , que ſao as cur. mihi fol. 99. verf. ibi: Sit igitur condições neceflarias , para ſe dar a dita Quinaquina com acerto ; porèm * primum preceptum mox à principto alexipharmacaeffe aut alijsmifcenda, como eu conhecefle que a minhadoenteeſtava em tanto perigo ,& nao ti- * autpersefola exhibenda , nam cùm nhajàmais que hum dia de vida, porque ao outro havia de ser oda cezaó * maligna contagio neque purgatione, taocrueliffima , queſe não poderia vencer , me reſolvi a darlhe naquelledia * nequefanguinisdetractione , aut quo* 1 1 (por fer demenor cezao ) fete copos de agua,de Inglaterra ,ſuprindo com a vis alioex auxilijs, que putrediniobrepetição do remedio a falta do tempo ,porque ſe naquelle dia de menor * fiftunt,quiefcat,freneturque,fitfanè quò negligentius,&morofius hacadhicezaōdeſſeſódous, ou tres copos datal agua(como he coſtume) chegava o bentur, eò contagiosaseminariamadia da cezãoexceſſiva , & infallivelmente mataria adoente :deylhepois a gisſeſe inrefiduo materia inferant. tal aguafete vezes nodiado alivio',com tal felicidade , que a ſalvey damor. * infinuentque ; &ob iddifplicuit pro* te.. fettofemperquorumdam Medicorum
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modorras ,outros deytavaõlombrigas vivas pelaboca ; &como eu eftiveſſeja convalecido , me chamáraó para curarosditosdoentes ,&dando-lhes a todos •meuCordealcomlargamão, foyo effeytodelle tao milagroſo , que eſcapáraótodos.Bem poderiaō eſtes ſucceſſos fercafuaes;mas hegrande cafo , que denovedoentes,ſóhumque nao tomou o meu Cordeal morreſſe ,&todos os : que o tomarao farafiem. Omeſmo prodigiofo effeyto obſervey com o Cor deal em caſa de Luis de Vargas , aonde otomaraó cincodoentes defebres malignas,& todos cinco ſaràraō. O Padre Carlos Pereyra, Capellaō do Emi nentiſſimo Senhor Cardeal de Souſa , pòde certificar o que vio obrar a efte Cordealem ſuacaſa ,aonde tres irmás fuas adoecèraó gravemente com febres malignas ; receiteylhe oCordeal paratodas , duasotomaraō,&livráraó, & fó humaque o naó quiz tomar morreo. 33: 1. Ovigefimo feptimo caſo obſervey no mez deJaneyro de 1696.em caladoPadreJoao Ribeyro, morador àBoaVista no pateodasGalegas; adoecèrao Tratado II. Cap. CVI. $77 ceraonaquellacaſa todasaspeſſoasdella,dehumafebre taomaligna ,&contagioſa, quefoyneceflario chamargente de fóra parathes acudir ; & fem em bargoquehuns tiveraó pintas, outros parotidas, outros delirios, outros foluços ,&finalmente outro eſteve mudo ſeis dias ,ſem poder articular huma fo
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Rheumatismos, nas Parleſias eſpurias ,&hoje achao humas ,& outras effica-: ciffimo remedio no leyte afinino ;vejaoos fluxosde ſanguedas Arterias cortadas, que osOraculosda Medicina julgáraō incuraveis , hoje ſecuraofacilmente comaCaparroſadeChipre ; vejao os fluxos exceſſivosde ſangue , que algumas vezes acontecem nos ſobrepartos ,nos movitos , nas conjunçoens menſaes , nas almorreymas ,& nasdyfenterias , que ſendo antigamente muy formidaveis ,jà hoje ſe fizeraódestemidos, depois que inventeyhum ſegredo, que dareyde graça aos pobres,& venderey aos ricos com humacondiçaotao defintereſſada , que ſenao aproveytar,tornarey odinheyro que me derem por elle. 2. Baſtem eſtes exemplos para moſtrar que a Medicina moderna ſe tem avantejadomuyto àantiga,& que pòde o tempo , o eſtudo ,& a curioſa indaCcc 2 gaçao 1 584 Polyanthea Medicinal. gaçãodoshomens deſcubrir medicamentos novos ,que os Senhores Medicos nodos anteceffores nemdetcobriraó, nem fonháraó. Com este preambulo, ou fupponendo poderey dizervenero muyto o ſegredo da Quinaquina , & o inventodaaguade Inglaterra ; mas quetem fazer aggravoa tao relevante ,&efpecifico remedio ,defcubri humaagua para curar as febres intermitentes , ou entremcomfrio, ouſem elle , que nem depende , para ſe applicar , deque precedao purgas , xaropes,ou ſangrias;nem he neceffario tomar-ſe em tantaquantidade , como a de Inglaterra, porquebaſtað ſeis , ou oyro copos ;nem lhe tao danofosos doces,né osazedos.Eſta minha invectivaa refervo comigo,&deixo
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gorada,& indubitavelmente ſe tirarà a cezaō, mas queſejade hū anno. 3. Os doentes a quem tenhodado eſta agua ſao tantos, que naoos com- prehende o algarifmo; porque a deſaffeyçao de alguns homens os obriga a duvidardas acções , que cundem em credito alheyo , me refolvi ( para abono da verdade ) tirar hum inftrumento autentico de quarenta doentes , que no mez de Março, & Abrildo annode 1696. tomàraó a dita agua no Hofpital Real deflaCidade,& todos cobraraófaude;affim o affirmaraopor fuas certidões juradas ( queeu tenho em meupoder ) os Doutores HippolytoGuido,& DomingosGomes Merim, Medicos que entaoeraó dodito Hoſpital: affim o jurao tambem , Joao daCosta , Irmao mayor ,&decano dos Enfermeyrosdo fobredito Hoſpital ,Antonio Ferreyra Enfermeyro da Enfermaria de Sao Vicente,Antoniode Soufa Enfermeyro da Enfermaría deSão Lourenço ,DomingosdeAzevedo Enfermeyro da Enfermaria de SaoCofmo ,Aleyxo dos Santos Enfermeyro da Enfermariade Sao Franciſco ;&fobre todas as refte- munhas , asdemayor authoridade,& quejuraraó ter viſtoos quan milagrofoseffeytosdaminha aguaLuirana,foraó Luis Francifco CorreaBaharem, Thefaureyrodo HofpitalReal , & Pedro Semedo Eſtaço , que fervia deEf- crivandoHoſpital, FranciſcoGalvao, Secretariodas Juſtiças,DionyfioRavaſco,Guarda Mòrdos ContosdoReyno,Antonio Cerveyra & Soto ,Prior daParochial IgrejadaVilla de Sao Martinho, &Vigatiodade SaoJoaoВарtiſtadaVillade Alfizeraó,CoutosdeAlcobaça; Amaro Nogueyra , morador juntodoRecolhimento de SaoChriftovao,que nopodendofararcom aagua de Inglaterra , farou com a minha agua Lufitana. Deyxo denomear outros
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: 28. de vino, mihi fol. 786.ibi: In ma- O meſmovemos cada dia na aguade Inglaterra ,& nos pòsde Qui- lignisfebribus, atque in ipfo contagio, tutum agnofcimus. Etalibi naquina , que fendobem quentes, como ſe conhece pelograndiffimo amargor vinumeffe fol. 71. cap 81.deardenti febre dicit: 4 10 . remediosfrios:pouſetiraocom febresintermitentes,&nao tem, tirao que , ſe elle tiver vir- Multafuntfebres, quibus vinummiquente ſeja quente ,& o remedio queasoachaque co importa nimèobest, bispræfertim, qua in ven- tude occulta para o vencer , como vemos naQuinaquina, que vence as maley- triculo fedemobtinent , & comagisfi talefit vinum,quodcaput minimètentas,& na agua ardente, que applicada em pannos picados fobre a Eryfipela a tet. cura,&deytadadentro nos olhos,lhecura as inflammações,& vermelhidões , Do usodo vinho em todas asfebres, como conftapor mil experiencias. vede a Hippocrates , & achareis queo 11. Aultima advertenciahe, que ſea febre maligna acometer a peffoa tes. deu nas continuas ,&nas intermiten Lede tambem a Galeno deAtte muyto fraca , ou for tað venenoſa aqualidade, que proſtre muyto as forças; curativa adGlauconem , & achareis quenestecaſo ſedem todos os dias aodoente duas colheresdebom vinho,por. quenão sódava vinko aosfebricitan-
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inpoſte,um comittentur in compofitio. quegoſta ; mas o Medico liberal fabia fazer aagua de Inglaterra , ouos pòs nibus obrerum contrarietates , &er- Ante-febris de Riverio;& pelo contrario oMedico muyto rigoroſonaolabia rores. fazer adita agua, nem outrofebri-fugiode igual efficacia ; neſtes termos pergunto: Qualdeſtesdoentes fararà maisdepreſla , o que comeo fógallinh , & foytratadocom todo o rigor ,mas não tomou a aguade Inglaterra , nemoutro eſpecifico da febre :ou o que comeoquanto quiz, & tomou adita agua, ou outro qualquer eſpecifico ante-febril ?Claro eſta, que hade farar muytomais :
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26. He" Tratado II.Cap. CXXVII. 657 26. Hebomconſelho deytar fóradaterra(emque ha,ouſetemeaPeſte) 4 >>todosos cães , ou matallos , porque como eſtes animaes comem muytas im- >>mundicias, comfacilidade ſethes pegaa qualidade peftilente ,&entrando pe>>lascafasdagente ſaapodem communicaro contagio,ſem que teadvirtadon "deveyoodano. ‫دو‬ ১ 27. Acudão àgentepobre com oque lhe for neceſſario,porqueda fome >>ſe ſegueufaremde ruins comidas,de que ſe criaõ venenofos humores , &def- :: >>tesasfebrespeftilentes , comodizGaleno : 25. examinem-ſeos mantimen25. " tos, &as aguas , porque de ferem ruins morreraó exercitos inteyros ,como Galen.lib.deciboboni, &malifucoi cap. 1. ibi: Humor vitiofus ex pravis >>tem moſtrado aexperiencia,&o diz Fernelio. 26.3 ‫در‬ 28. collectusdiù venis qui latet , in Sobreo paoſe deve fazer muyparticular exame, inquirindo aſua cibis temporis progreſſu pestiferas febres >>qualidade,pois he iguariatão commuaa todos ,& nocaſoque otrigo ſejamal gignit. "ſazonado, ou ſejatalafalta , que nos obrigue a ufardelle , oudo que vem de 26.
Polyanthea MedicinalJoão Curvo Semedo, 1741
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" 22 ‫נג‬ 43 : naonoverde;por quantoo fecco tem difpofições capazespara ſe lhe atearo Hippocrateslib.de flatibus,mihi fof. "incendio', asquaesnaotemoverde. 99.ibi:Differtequidem corpus àcorpo- " re,naturaànature , & mutrimentum ànutrimento. も ef Da PolyantheaMedicinal. 660 DacuradaPeste. 44 . १ Ternelius cap. 12.de peſtilentia,mihi fol. 106. ibi : Memorie proditum eft peftilentiam incidere, quæfolos bove Des 1.45. jugulat , aliam , quefues, aut oves, aliam,quefoloshomines, &c. 45. Orque aPefteheenfermidadecontagiofa,perguntarà alguem fe paraa razaódo contagiobaſtará só quehuma doença ſejagrande,» Porque &tenhamuyta actividadeem marar ?Reſpondo que nao : porquepara ocon. Mercurialisde Peſtilenti febre cap. tagiohe neceſſario que ataldoençaſe communiquede huma outro , &deou." 25. mihi fol. 32.verf. ibi:Sunt enim, tro amuytos , com os quaes tenha certaanalogia , ou ſemelhança, por faltada>> ut audiviſtis,magna expartefebres qual vemos muytasvezes que tendooshomenspeſte, anaotemosgados;ou." ardentes. 46. trasvezes obfervamos que tendo-a os gados , a nao tem os homens ;por quan-> " , Rondeletius defebre peftilenti , mi- toeſtes viventes tem entre fi diverſas analogias , ou ſemelhanças,& afſim ten-» hifol.803. ibi : Nos autem putamus doa peſtilencia analogia com huns , a nao tem com outros ; como o obſervou , effetertiumgenus canfonisfactum ex Fernelio 44. na Peſle que houveno annode 1514.que matandoogado,não , Sanguinemelancholico, &c. 47. matavaa gente.
Polyanthea MedicinalJoão Curvo Semedo, 1741
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lente,&poriſſo ſaoa gente, a quem aPeſte fepegaprimeyro. 84. Aſegundacaſtade gente que ſaõobrigados a fugir, fao as mulheres , prenhadas , porquede maisdeſerem muyto arriſcadas a ſelhes pegar o contagio,maisneceffitaõ de que as firvaõ ,do que ſervirem ellas aoutrem , & por ,, iſto ſe nãodevem pòra perigo,quando nao podemferde proveyto. 85. Aterceyracaſta degente quedeve fugir, ſab os delicados ,& mal , " compleycionados , porque eſtes ,pela ſuamà diſpoſiçaó , com facilidade po- ,, dem fer aflaltadosdo contagio peftilente. 86. Aquarta caſtade peſſoas quedevem fugir , ſaõ os muyto medrofos,,, porquenao ſoestãomuy capazes,& ázados para cair no perigo ; mascom a fua grande triſteza entriſtecem aos outros,& lhes fazem grande dano ,& por iflo,, dizaEfcrituraSagrada noDeuteronomio 2. Homo formidolofus, &cordepavido